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terça-feira, 1 de maio de 2012

cartas ao mar

minha imagem de Sofia
O mar tenta molhar os pés dela
e ela não reage aos seus ataques
somente olha para o horizonte
com se ele estivesse por ali

está descalça por não aguentar
o peso dos seus tênis de trilha
está um dia calourento
e o casaco está amarrado
na cintura dela

as sardas no rosto querem saltar
ela também pensa
em fazer com que os desejos do mar
se realizem

ela quer molhar o corpo todo
quer se afogar naquele mar
onde ninguém a verá

ela quer fazer a água vermelha
com seus cabelos e sangue
ela quer ir embora
por achar
que sua existência
não tem importância

mas ela não sabe
que quem também olha o horizonte
tem vontade
de morrer ali com ela.

será que as cartas
chegaram nas ilhas
onde ela achou a solidão?

2 comentários:

  1. Um poema para além das palavras, lindo e com uma aura angustiante de quem chegou ao seu limite.Que a água do mar traga um novo alento à Sofia.

    Gostei muito.

    Beijos.

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  2. incrivel verbalização de pensamentos.

    ps: pensei que nunca ia conseguir ver sofia.

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Ninguém é autossuficiente de pensamento.