em momentos dispersos
eu vejo meus segundos se perdendo
em pedaços
que quando quebram
ficam tão distantes
-que nem sei-
são cacos negros
e carcomidos pelo tempo
coberto por fungos
por sangue
e por olhares
que às vezes
cortam mais que os próprios cacos
Corto os rios
cortes rasos e vasos
me corto
às vezes
mais que os cacos
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Sábado incógnito
Hoje eu perdi algumas feridas
ando atrás de mares e revoltas
hoje perdi as linhas de costura
e os pontos revoltos no meu braço
O peso em minhas pernas
no meu pescoço
nas costas
mas o dia compensou.
Está pesado em minha memória.
quase chorei ao sol
senti saudades na sombra
faz tempo que não a vejo
eu vi ela
hoje
Eu escrevo
perco tudo
mas cumpro
promessas
ando atrás de mares e revoltas
hoje perdi as linhas de costura
e os pontos revoltos no meu braço
O peso em minhas pernas
no meu pescoço
nas costas
mas o dia compensou.
Está pesado em minha memória.
quase chorei ao sol
senti saudades na sombra
faz tempo que não a vejo
eu vi ela
hoje
Eu escrevo
perco tudo
mas cumpro
promessas
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Abidcar
Não sei se quero força
por não ter o que sustentar
eu não sei se quero força
por não querer suportar
eu não sei se quero força
É um processo longo
o de abdicar de si
descartar todas as peles
é um processo longo
Esquecer de si
é difícil como ser
E se é difícil
somente ser
que dirá ser algo
Eu sou alguém
mesmo não sendo algo
ou mesmo nem sendo alguém
Meus pretextos são inválidos
meus motivos infantis
Alguém me diga:
Que caminho seguir
quando não se quer
seguir caminho nenhum?
por não ter o que sustentar
eu não sei se quero força
por não querer suportar
eu não sei se quero força
É um processo longo
o de abdicar de si
descartar todas as peles
é um processo longo
Esquecer de si
é difícil como ser
E se é difícil
somente ser
que dirá ser algo
Eu sou alguém
mesmo não sendo algo
ou mesmo nem sendo alguém
Meus pretextos são inválidos
meus motivos infantis
Alguém me diga:
Que caminho seguir
quando não se quer
seguir caminho nenhum?
domingo, 13 de novembro de 2011
Quinze
As paredes que eu mesmo pintei
estão manchadas
por manchas que eu mesmo manchei
Foi como no tempo do deserto
andei, andei e andei
mas o deserto continua até hoje
A maioria pontes que eu construí
foram em bases fracas
e hoje elas só aguentam suicidas
e nada mais
Gosto muito da nostalgia
mas não vivi muito
quando eu morrer
talvez isso faça mais sentido
estão manchadas
por manchas que eu mesmo manchei
Foi como no tempo do deserto
andei, andei e andei
mas o deserto continua até hoje
A maioria pontes que eu construí
foram em bases fracas
e hoje elas só aguentam suicidas
e nada mais
Gosto muito da nostalgia
mas não vivi muito
quando eu morrer
talvez isso faça mais sentido
sábado, 15 de outubro de 2011
Fragmentos
O tempo insiste em entrar
em cada casa desfigurada,
entrar por cada janela
que esqueceram de fechar.
Mesmo quando não é convidado
o tempo insiste em entrar
e dar-me tudo que me faz,
tudo o que me faz chorar
E eu que sou mais covarde
que o tempo, tento resguardar
algumas memórias incompletas,
alguns fragmentos incompletos
de acontecimentos que
o tempo não levou embora,
acontecimentos que talvez
o tempo tenha esquecido.
Às vezes o tempo passa
e eu lembro do meu cachorro
O tempo insiste em penetrar
em cada poro do meu corpo magro.
Insiste em entrar em minha vida
em minha memória
O tempo é apenas um sujeito infeliz
que tenta me fazer chorar
nas noites de isônia
em cada casa desfigurada,
entrar por cada janela
que esqueceram de fechar.
Mesmo quando não é convidado
o tempo insiste em entrar
e dar-me tudo que me faz,
tudo o que me faz chorar
E eu que sou mais covarde
que o tempo, tento resguardar
algumas memórias incompletas,
alguns fragmentos incompletos
de acontecimentos que
o tempo não levou embora,
acontecimentos que talvez
o tempo tenha esquecido.
Às vezes o tempo passa
e eu lembro do meu cachorro
O tempo insiste em penetrar
em cada poro do meu corpo magro.
Insiste em entrar em minha vida
em minha memória
O tempo é apenas um sujeito infeliz
que tenta me fazer chorar
nas noites de isônia
terça-feira, 27 de setembro de 2011
combler avéc coeur
Quando o sol cai
eu te vejo, melancólica
sentada nas pequenas pedras
que adentram no mar verde
olhando para o mar
Caçando o brilho das estrelas
no reflexo das gotas d'água
E eu com um só
dos tantos pequenos grãos de areia
Construo uma grande ponte
entre mim e você
Ponte, poente
Eu me vejo com você
Ponte , Ponte
Dos meus olhos para os seus
Não tenha medo
Quando ver meu corpo caindo
Nadando sem forças na água
Pois nós vamos brincar, nós vamos
nós vamos dançar, na água escura
em meio as bolhas
dos peixes ofegantes
Não tenha medo
quando ficar sozinha
Pois num futuro próximo
nós seremos um
talvez um pequeno grão de areia
que voa com o vento
que voa como eu
Eu,
que mesmo caindo
guardo as últimas palavras
para o teu pequeno ouvido
Não chores
quando suicidar-me
na ponte que eu mesmo construí
Venha e voe comigo
para juntos morrermos
de mãos seladas e sorrindo
Numa tarde de sol poente
Nas águas, que correm frias
sob as luzes da ponte
eu te vejo, melancólica
sentada nas pequenas pedras
que adentram no mar verde
olhando para o mar
Caçando o brilho das estrelas
no reflexo das gotas d'água
E eu com um só
dos tantos pequenos grãos de areia
Construo uma grande ponte
entre mim e você
Ponte, poente
Eu me vejo com você
Ponte , Ponte
Dos meus olhos para os seus
Não tenha medo
Quando ver meu corpo caindo
Nadando sem forças na água
Pois nós vamos brincar, nós vamos
nós vamos dançar, na água escura
em meio as bolhas
dos peixes ofegantes
Não tenha medo
quando ficar sozinha
Pois num futuro próximo
nós seremos um
talvez um pequeno grão de areia
que voa com o vento
que voa como eu
Eu,
que mesmo caindo
guardo as últimas palavras
para o teu pequeno ouvido
Não chores
quando suicidar-me
na ponte que eu mesmo construí
Venha e voe comigo
para juntos morrermos
de mãos seladas e sorrindo
Numa tarde de sol poente
Nas águas, que correm frias
sob as luzes da ponte
terça-feira, 20 de setembro de 2011
escritos
É bonito
quando você vê
várias páginas
repletas de palavras
e sabe que foi você
que as escreveu
Fica rindo
apesar de saber
que poucas pessoas lerão
quando você vê
várias páginas
repletas de palavras
e sabe que foi você
que as escreveu
Fica rindo
apesar de saber
que poucas pessoas lerão
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Nina III (ou Emaranhado)
E Nina o abraçava forte
como se o mundo fosse desabar
e ele se perdia no perfume
daquele mundo tão doce
"O suicídio seria doce
se fosse do abismo dela"
E sob a vigilância das estrelas
um emaranhado de cabelos
de sorrisos e de respirações
se perdia no meio da multidão
As pessoas caminhavam em câmera lenta
sob o foco de uma lente fosca
enquanto o tempo se derretia
nas artérias do pescoço dela
E Nina falecia docemente
no abraço daquele idiota
e renascia resplandescente
na frieza de um suspiro
As veias pulsavam na boca dele
e ele gravava no colo dela
as marcas de um poema
em que o mundo desabava
e Nina o abraçava firme
naquele mundo que foi ao chão
como se o mundo fosse desabar
e ele se perdia no perfume
daquele mundo tão doce
"O suicídio seria doce
se fosse do abismo dela"
E sob a vigilância das estrelas
um emaranhado de cabelos
de sorrisos e de respirações
se perdia no meio da multidão
As pessoas caminhavam em câmera lenta
sob o foco de uma lente fosca
enquanto o tempo se derretia
nas artérias do pescoço dela
E Nina falecia docemente
no abraço daquele idiota
e renascia resplandescente
na frieza de um suspiro
As veias pulsavam na boca dele
e ele gravava no colo dela
as marcas de um poema
em que o mundo desabava
e Nina o abraçava firme
naquele mundo que foi ao chão
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Nina II
Minhas mãos são sedentas
pelas formas aconchegantes
das curvas de tua cintura
minhas córneas sedentas
por tua ingênua ternura
Nina
Sinto o contorno de teus lábios
caminhando por meu rosto
Nina, faz tua trilha
por entre meus bosques
deixa teu rastro sem cor
sinta o pulsar das artérias
que se bifurcam em meu pescoço
e eu sinto o contorno de tua ternura
envolto no aconchego de tua cintura
Nina
Admiro tua melancolia silenciosa
Nina
Dance
com ou sem mim
Dance
com a solidão
Nina
as noites de insônia que carrego
são as que mais sonho contigo
Esses cadernos escritos que te trago
São dos dias que mais sonho contigo
essas palavras são a parte de você
que eu consigo trazer comigo
E eu leio-te todas as noites
para que não morras nunca
eu recito-te todas as manhãs
eu canto-te junto com os pardais
que acompanham a melodia
a doce melodia que és
Nina,
Como queria ser teu vizinho
pra ouvir tu cantar no banho
como queria morar em tua rua
e ir comprar o pão contigo
Nina
não deixe nunca de sorrir
pois sou parte do teu riso
e morro a cada lágrima
Eu sou a solidão,
Nina
e eu te amo
um
pouco
só
um
pouco (mentira)
Posso
te chamar
de Nina?
pelas formas aconchegantes
das curvas de tua cintura
minhas córneas sedentas
por tua ingênua ternura
Nina
Sinto o contorno de teus lábios
caminhando por meu rosto
Nina, faz tua trilha
por entre meus bosques
deixa teu rastro sem cor
sinta o pulsar das artérias
que se bifurcam em meu pescoço
e eu sinto o contorno de tua ternura
envolto no aconchego de tua cintura
Nina
Admiro tua melancolia silenciosa
Nina
Dance
com ou sem mim
Dance
com a solidão
Nina
as noites de insônia que carrego
são as que mais sonho contigo
Esses cadernos escritos que te trago
São dos dias que mais sonho contigo
essas palavras são a parte de você
que eu consigo trazer comigo
E eu leio-te todas as noites
para que não morras nunca
eu recito-te todas as manhãs
eu canto-te junto com os pardais
que acompanham a melodia
a doce melodia que és
Nina,
Como queria ser teu vizinho
pra ouvir tu cantar no banho
como queria morar em tua rua
e ir comprar o pão contigo
Nina
não deixe nunca de sorrir
pois sou parte do teu riso
e morro a cada lágrima
Eu sou a solidão,
Nina
e eu te amo
um
pouco
só
um
pouco (mentira)
Posso
te chamar
de Nina?
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Garganho
Triste é saber que se está na merda
e não fazer nada pra sair dela
achando que simplesmente
o destino se encarregará disso
Tristes dos homens que acham
que pensam, triste de mim
Eu e minhas incertezas
Tristes dos poemas
que falam o que não consigo
que dizem o que não posso
eles são somente um instrumento
E se os poemas tivessem vida?
domingo, 21 de agosto de 2011
O pó e o vento
Desértico
Assim me vejo
e não pretendo mudar
assim me sinto
Desértico
Seco, quente
assim me vejo
Vermelho e intenso
Desértico e silencioso
Ferido, fogo
Solitário e caviloso
Desértico
para todos
para mim
Sou o maior de todos
Assim como o menor
Mas desértico
Sou o pó e o vento
O calor e o cemitério
Sou deserto
e nada mais
Onde estão os oásis?
Onde está o amor?
Nas pegadas deste deserto?
As miragens deste deserto
são desertos
Sou deserto
e nada mais
Deserto
Assim me vejo
e não pretendo mudar
assim me sinto
Desértico
Seco, quente
assim me vejo
Vermelho e intenso
Desértico e silencioso
Ferido, fogo
Solitário e caviloso
Desértico
para todos
para mim
Sou o maior de todos
Assim como o menor
Mas desértico
Sou o pó e o vento
O calor e o cemitério
Sou deserto
e nada mais
Onde estão os oásis?
Onde está o amor?
Nas pegadas deste deserto?
As miragens deste deserto
são desertos
Sou deserto
e nada mais
Deserto
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Vapor
Enquanto os lábios abrem
as velas também se acendem
o riso morre
mas o choro não
se resguarda nas brechas
se disfarça nos risos
O vento resseca os olhos
e as lágrimas os umedecem
e emudecem os corações
não importa mais
se os cabelos estão penteados
ou se as roupas estão bem passadas
As roupas na verdade
secam nos varais
de tristezas das lembranças
a areia por fim desaba
a vela por fim se apaga
mas o rio não seca
A tristeza é perene
e o homem caminha
na mesma estrada de sempre
seu relicário é incompleto
porém os olhos são cheios
apesar de não parecerem
São os aquíferos da vida
É a água
que seca, que se camufla
que o tempo cuida de eternizar
O vento apaga a vela
e a escuridão persegue
o curso do rio
e em cada margem
em cada gota
nasce e deságua
Como é tortuoso
viver com essas lápides
nas quinas de minhas memórias
as velas também se acendem
o riso morre
mas o choro não
se resguarda nas brechas
se disfarça nos risos
O vento resseca os olhos
e as lágrimas os umedecem
e emudecem os corações
não importa mais
se os cabelos estão penteados
ou se as roupas estão bem passadas
As roupas na verdade
secam nos varais
de tristezas das lembranças
a areia por fim desaba
a vela por fim se apaga
mas o rio não seca
A tristeza é perene
e o homem caminha
na mesma estrada de sempre
seu relicário é incompleto
porém os olhos são cheios
apesar de não parecerem
São os aquíferos da vida
É a água
que seca, que se camufla
que o tempo cuida de eternizar
O vento apaga a vela
e a escuridão persegue
o curso do rio
e em cada margem
em cada gota
nasce e deságua
Como é tortuoso
viver com essas lápides
nas quinas de minhas memórias
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Menina
Essa revolução que me consome
meus lábios e meus pensamentos
Saudades dos tempos de ontem?
Revolução nesses últimos tempos
Nostalgia dos segundos passados
dos bancos do ponto de ônibus
Bons esses tempos entrecortados
saudades do ponto de ônibus
Será que virão outros terminais?
Estarás conversando comigo?
Nas semanas, os chatos finais
Só sobram os dias de domingo
Porque me chamas assim?
Sempre estarei por perto
Porque me chamas assim?
Sou casa, és teto
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Manchas
Teus seios são punhais
e teu beijo é ácido
me corto e me derreto
a cada vez que te vejo
a cada vez que te sinto
todo cortado, cicatriz
meu corpo é lápide
de toda esta guerra
Morro e ressuscito
com o veneno e antídoto
que é você, com seus pensamentos
Meu sangue mancha tua blusa
e pinga no chão
marca meus passos
Eu sou vermelho
sangue, sol e vergonha
Você não usa batons
Explica esses teus lábios vermelhos?
e teu beijo é ácido
me corto e me derreto
a cada vez que te vejo
a cada vez que te sinto
todo cortado, cicatriz
meu corpo é lápide
de toda esta guerra
Morro e ressuscito
com o veneno e antídoto
que é você, com seus pensamentos
Meu sangue mancha tua blusa
e pinga no chão
marca meus passos
Eu sou vermelho
sangue, sol e vergonha
Você não usa batons
Explica esses teus lábios vermelhos?
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Que flor?
Pedes o que não quero
momentos perfeitos
em certa velocidade
nas memórias são eternos
Falas, rostos e risos
gravados nos cadernos
que posso eu fazer
se estes são momentos eternos?
Teu perfume ainda está
na minha pele, teu corpo
Entre meus e teus cabelos
está pintado nosso rosto
Sentistes meu coração
e ainda o tem nas mãos
Eu te tenho somente em gosto
e na lembrança, a minha em tua mão
Este amor caminha
de pés descalços em caminho de barro
E eu ando no mesmo caminho
e com ele , casualmente, esbarro
Morena, teu riso está comigo
meu porto, relicário deste romance
Me diz que posso fazer
se são eternos estes relances?
Uma Flor só é pouco pra ti
és jardim, és floresta, mundo e és rio
porque gastas teus risos
com poemas de um homem tão frio?
És toda luz que me entra
nessas ruínas em que me perdi
meus lábios sibilando
a frase que tanto repeti
Que flor?
que flor será esta?
Me diz flor
Pois agora perdi-me em tuas pétalas
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
Versos Desbotados
No quarto aceso
embaixo de todos os lençóis
tento lembrar do teu rosto
tuas palavras e teus sorrisos
Na paredes vejo teu nome
gravado ao lado do meu
Nas estantes vejo nosso amor
nas cem páginas de Neruda
onde cada soneto parece ter teu nome
Repeti teu nome tantas vezes
sob a luz, colada no teto
Nos quadros da parede
tenho nosso amor pintado,
desde rabisco à lápis
até minhas tintas escarlates
Tenho também nosso amor gravado
nas cordas do meu violão
com minha voz desafinada
e meus dedos machucados
Estas paredes desbotadas
exalam nosso amor
essa luz sob o poema
colada no teto
é o seu amor
As portas do armário
lembram-me teu amor
não sei porque
Minha TV repete a mesma cena
o mesmo rosto de bochechas coradas
envergonhado, sorrindo timidamente
o mesmo sorriso que me seduziu
E a cena mais uma vez se repete
em preto e branco , seus olhos
Teu amor está em cada tijolo
no reboco e na pintura
em cada teia de aranha
Teu amor está em mim
e eu não posso negar
Teu amor é aqui
esperando você chegar
(os versos desbotam)
embaixo de todos os lençóis
tento lembrar do teu rosto
tuas palavras e teus sorrisos
Na paredes vejo teu nome
gravado ao lado do meu
Nas estantes vejo nosso amor
nas cem páginas de Neruda
onde cada soneto parece ter teu nome
Repeti teu nome tantas vezes
sob a luz, colada no teto
Nos quadros da parede
tenho nosso amor pintado,
desde rabisco à lápis
até minhas tintas escarlates
Tenho também nosso amor gravado
nas cordas do meu violão
com minha voz desafinada
e meus dedos machucados
Estas paredes desbotadas
exalam nosso amor
essa luz sob o poema
colada no teto
é o seu amor
As portas do armário
lembram-me teu amor
não sei porque
Minha TV repete a mesma cena
o mesmo rosto de bochechas coradas
envergonhado, sorrindo timidamente
o mesmo sorriso que me seduziu
E a cena mais uma vez se repete
em preto e branco , seus olhos
Teu amor está em cada tijolo
no reboco e na pintura
em cada teia de aranha
Teu amor está em mim
e eu não posso negar
Teu amor é aqui
esperando você chegar
(os versos desbotam)
domingo, 24 de julho de 2011
Saudade
De onde vem a saudade?
Minha valsa sozinha
com as mãos na cintura
das gotas da chuva
Cadê os teus cabelos?
que eu quero me esconder
sem razões pra chorar
meu coração quer te conhecer
minha saudade é melodia
que grita nas brechas
das lembranças dos teus quadris
Cadê a saudade?
nos brilhos das estrelas
estavam as mechas
nas noites de lua
estavam os olhos
mas a saudade, cadê?
Do que é feita a saudade?
Sob o brilho da memória
os teus lábios reluzem
e teu corpo dança
uma valsa torta
que eu compus pra ti
Sob o brilho do amor
meus dedos balançam
gravando estes versos
num tronco qualquer
de uma árvore caída
de raízes seguras
nas saudades desta valsa
Minha valsa sozinha
com as mãos na cintura
das gotas da chuva
Cadê os teus cabelos?
que eu quero me esconder
sem razões pra chorar
meu coração quer te conhecer
minha saudade é melodia
que grita nas brechas
das lembranças dos teus quadris
Cadê a saudade?
nos brilhos das estrelas
estavam as mechas
nas noites de lua
estavam os olhos
mas a saudade, cadê?
Do que é feita a saudade?
Sob o brilho da memória
os teus lábios reluzem
e teu corpo dança
uma valsa torta
que eu compus pra ti
Sob o brilho do amor
meus dedos balançam
gravando estes versos
num tronco qualquer
de uma árvore caída
de raízes seguras
nas saudades desta valsa
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Costurando as Rugas
Acordei-me sonolenta
e me olhei no espelho
Onde as curvas se sustentam?
não reconheço o que vejo
Vi-me desvirginada
desfeita em rugas
todas escancaradas
verdadeiras vulvas
Sou estranha no vidro
não me dou bem com a estima
e com espelhos não lido
no meu próprio corpo faço chacina
matando a bela dama
apagando a velha chama
nas cobertas da cama
quentes , cuidando do calor
do amor
dos velhos amigos
peitos caídos
carícias e beijos
não reconheço o que vejo
nesses reflexos turvos do espelho
Do que a nostalgia é capaz ?
lembro-me da boneca-de-pano
afogada, agora jaz
nos oceanos do passado
não reconheço o que vejo,
será meu este rusto enrugado?
Meu peito murcho
já não quer palpitar
meu pulmão escuro
teima em não respirar
Será a hora do fim?
Irá mesmo terminar assim?
Doce como pudim?
Terminará nas espumas do mar
na saudade de uma jangada
saudades não vou deixar
Terei a voz silenciada
pelos cochichos
dos sacos de lixo
na beira do mar
e me olhei no espelho
Onde as curvas se sustentam?
não reconheço o que vejo
Vi-me desvirginada
desfeita em rugas
todas escancaradas
verdadeiras vulvas
Sou estranha no vidro
não me dou bem com a estima
e com espelhos não lido
no meu próprio corpo faço chacina
matando a bela dama
apagando a velha chama
nas cobertas da cama
quentes , cuidando do calor
do amor
dos velhos amigos
peitos caídos
carícias e beijos
não reconheço o que vejo
nesses reflexos turvos do espelho
Do que a nostalgia é capaz ?
lembro-me da boneca-de-pano
afogada, agora jaz
nos oceanos do passado
não reconheço o que vejo,
será meu este rusto enrugado?
Meu peito murcho
já não quer palpitar
meu pulmão escuro
teima em não respirar
Será a hora do fim?
Irá mesmo terminar assim?
Doce como pudim?
Terminará nas espumas do mar
na saudade de uma jangada
saudades não vou deixar
Terei a voz silenciada
pelos cochichos
dos sacos de lixo
na beira do mar
domingo, 17 de julho de 2011
José
José
Para onde teu passo caminha?
Angústia?Melancolia?
José, lutando contra o próprio corpo
pés cansados, olhar já morto
longe, não se sabe onde
José
Tua grande pátria
que sustentas no teu cangote
onde estão os velhos tempos?
os mares os botes?
José
De rosto manchado pelo sol
Esquecestes teus velhos barcos
No labirinto do teu corpo em cacos
No ferro marrom do anzol
José, José
Tua sabedoria sensata
não ficará na partilha ingrata
morrerás sufocado
pelo nó da tua própria gravata
José, José
de tanto caminhar
já não te aguentas em pé
Se em pé ficas, sozinho tu cais
já sem um cais
pra ancorar
e assim , fica ao sabor do mar
Continuas a navegar
velhos pescador
Na tristeza do teu lar
Filho do céu e do mar
Para onde teu passo caminha?
Angústia?Melancolia?
José, lutando contra o próprio corpo
pés cansados, olhar já morto
longe, não se sabe onde
José
Tua grande pátria
que sustentas no teu cangote
onde estão os velhos tempos?
os mares os botes?
José
De rosto manchado pelo sol
Esquecestes teus velhos barcos
No labirinto do teu corpo em cacos
No ferro marrom do anzol
José, José
Tua sabedoria sensata
não ficará na partilha ingrata
morrerás sufocado
pelo nó da tua própria gravata
José, José
de tanto caminhar
já não te aguentas em pé
Se em pé ficas, sozinho tu cais
já sem um cais
pra ancorar
e assim , fica ao sabor do mar
Continuas a navegar
velhos pescador
Na tristeza do teu lar
Filho do céu e do mar
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