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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Vapor

Enquanto os lábios abrem
as velas também se acendem
o riso morre
mas o choro não
se resguarda nas brechas
se disfarça nos risos

O vento resseca os olhos
e as lágrimas os umedecem
e emudecem os corações
não importa mais
se os cabelos estão penteados
ou se as roupas estão bem passadas
As roupas na verdade
secam nos varais
de tristezas das lembranças
a areia por fim desaba
a vela por fim se apaga
mas o rio não seca

A tristeza é perene
e o homem caminha
na mesma estrada de sempre

seu relicário é incompleto
porém os olhos são cheios
apesar de não parecerem

São os aquíferos da vida
É a água
que seca, que se camufla
que o tempo cuida de eternizar

O vento apaga a vela
e a escuridão persegue
o curso do rio
e em cada margem
em cada gota
nasce e deságua

Como é tortuoso
viver com essas lápides
nas quinas de minhas memórias

Um comentário:

  1. Maravilhoso! Dentro de você existe um grande poeta, e eu admiro isso. Suas palavras expressam a intensidade do sentimento, tão tristes porém tão belas. :)

    Bom fim de semana.

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Ninguém é autossuficiente de pensamento.