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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

alforria imaginária

meu sotaque está misturado.
meus idiomas estão vão se
mesclando. Mas quando inalo
a fumaça da vida, quando
derreto-me no calor do verão
litorâneo, repenso todos os versos.
reverso.

sobreviver. existir. há ciências
por trás de tudo. nas linhas que
escrevo neste computador que
não é meu, percebo que sou também
eletrodos, cátions e ânions.
e no meio de tudo: esses sentimentos
confusos, essa vontade de não
abrir os olhos.

e se há festa, sorrio. bato palmas.
como não exaltar esse mundo de
complexidades? e faço para que
tudo pareça a maior calma.
mas não vejo, não amo.
e se os anjos varressem a terra
eu não pediria perdão.
teria vergonha de ser perdoado.

mas minha voz não é mais minha.
parece que é do mundo, do papel.
E parece que tenho outros timbres,
se me esforçar um pouco
e entender meus mecanismos vocais.

eu não abro mais a janela apenas
para receber o sol. abro sem metáforas,
por que há calor e sei que você está em
algum lugar, lá fora. e não aqui.


Um comentário:

  1. Há amor aqui. Ai, João, é a segunda vez que leio essa poesia e sinto uma vontade que me esgana de chorar ao seu lado, te contar da minha vontade de não acordar, também. Tudo isso aqui é bonito demais, sabe, e tão doloroso quanto essa janela aberta. Não há amor na cidade, nem nos lençóis sujos de ontem à noite. Há amor aqui, viu.

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Ninguém é autossuficiente de pensamento.