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sexta-feira, 8 de abril de 2011

As palavras dos monges

Uma mulher
Perdida no tempo
esquecida nas areias
entre fungos e odores
entre raízes de flores
Perdida entre as máquinas
no labirinto de linhas
correndo lentamente
pelos corredores
Uma mulher de tal silêncio
castigador
que apesar do coração grande
não demonstrava seu amor
Uma mulher
que agora jaz
descansa em paz
Uma mulher só
num mundo em pó
uma mulher em dó
em si
mas sem mim
era mãe
tia
avó

lágrimas
dos filhos
sobrinhos
e dos netos
agoam as flores
que nascem das entranhas
da pobre senhora
que pra morrer
não escolheu hora

foi embora
esqueceu a tristeza
e deixou-a
para tais sofrerem
homens
meninos
outras mulheres
não culpem ela
queria viver até o fim
pena que o fim chegou
e de súbito
a abordou
e levou-a
para longe
para onde vão as palavras
dos monges
onde se escondem
as poesias que não foram feitas

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Ninguém é autossuficiente de pensamento.