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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Caim III





















Essas filhas já não são minhas
meu ventre mora longe
em ilhas negras e infernos
já não as crio para mim
quem é meu me é distante
o que me pertence mora longe
fora do alcance de minhas mãos
mãos essas que eu renego
quando entro no mar
e nado para a ilha negra
Corpo meu que renego
entrego-me às minhas filhas
me deixo nadar neste mar
           tanto mar
para morrer sob este sol de inverno
e minha fé?
são pecados o que carrego no bolso
nessas temporadas de calor
em que renego meu corpo de anjo
caído em meio a cidade
de carros e fumaça
esguio e efêmero
Vou esvaziar minha caixa de correspondência
me chegam cartas de suicídio
veladas sob o ar dos pássaros
O homem que amo mora longe
onde as pedras não o tocam
onde ele joga esse jogo maldito
Suas medalhas estão à mostra
seu cachimbo e sua boina
não há para quem chorar
pois seu túmulo está preso
dentro de mim
e de mais ninguém

choro em mim
derreto-me
rezo pra quem?

Um comentário:

  1. Excelente série. Esse especialmente mexeu comigo!!!
    Um ótimo domingo, meu amigo!
    Abraço!

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Ninguém é autossuficiente de pensamento.