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domingo, 14 de outubro de 2012

Vômito

Tudo gira em torno de um gato de olhos azuis. O gato, por defeitos biológicos ou mesmo acertos divinos, não enxerga as cores como nós humanos. Na verdade, a maioria dos animais enxerga de modos diferentes de nós. Eles vêm outro mundo, outras cores e outras belezas. Parece-me mais sensato o mundo em que os animais vivem.
O gato de olhos azuis, preso numa foto em uma página imbecil de uma rede social parece-me mais sensato que qualquer ser humano. Não por sua beleza ou sua superioridade intelectual, mas por não fazer sentido nenhum os olhos dele possuírem a cor do céu.
Nina dizia que olhos negros eram mais bonitos. Ela estava certa, como sempre. 
Eu sei que quando estiver com meus 30 anos vou arrumar um jovem para conversar, moldar a mente, tentar fazer dele um ser humano melhor. Talvez esse jovem seja meu filho. Talvez seja um guri que escreve pra um blog perdido na internet. Perdido. O blog e o guri. 
Sei que quando estiver com trinta anos, a angústia não vai existir em minha vida. Ou eu vou estar próximo a algo bom ou essa angústia vai ser intensificada a ponto de ganhar outro nome. 
Se eu chegar aos trinta anos, quero um café da manhã decente. Quero um ombro pra encostar minha cabeça quando chegar em casa cansado e sem esperança. Seja esse ombro de qualquer uma das meninas que me cercam ou cercaram. Ou mesmo dos meninos. Quero um colo para deitar-me. Que todas as manhãs alguém me pergunte se está tudo bem comigo realmente interessado na resposta.
Lúcifer? É só mais um no mundo. De olhos grandes. Sedutor. Sinto Heitor morrendo em mim. Sinto Alice tentando se esconder na noite escura. Mario não há. Mario é só uma ilusão, uma esperança de nossas vidas. Assim como todas as esperanças que criei no futuro, sem ao menos crer que o presente tinha algum poder sobre tudo que há em mim. 
Minha infantilidade chegou a ponto de negar o que eu não estava de acordo. Nina estava certa, como sempre.  

Nada de apelo desesperado, apenas um desabafo para vocês, que são meu primeiro meio de refúgio quando o mundo me pesa demais. Não escrevo para me entenderem, mas para tentarem. Apenas me leiam, me devorem por inteiro.

Porque a vida anda meio louca.

Um comentário:

Ninguém é autossuficiente de pensamento.