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quinta-feira, 27 de junho de 2013

O cigarro e o filtro.

Eu tenho feridas, todo mundo tem.
Tenho calos nas mãos e pensamentos ruins
alimentando minha mente como se não
houvesse um amanhã tranquilo.

Mas há um amanhã tranquilo.
Sempre há. 
Depois dos dias de sol escaldante,
nasce a lua para nos acalmar 
nesta cidade indecente.

Por vezes te vejo entrar no mar.
Por vezes vejo você remar
com outros remos.
Para longe de minha praia.

Sou o seu porto.

E de todas as vezes que prendi seu barco em meu cais
foi apenas por saber que tempestades viriam, querida.
Mas meus nós nunca foram firmes. Apenas o suficiente
para não deixares o cais e se perder no meio da tempestade.

Na praia também chove. E a areia fica molhada.
Quando chove, ninguém vem tomar sol.
As gaivotas morrem por aqui.
Mas você chega. Surda.
Joga sua âncora e limpa
as nuvens no céu.

E você toma sol comigo.
Nus.
Eu estou nu de minhas certezas
despido de inverdades,
de vergonhas e de precipícios.
Estás nua das roupas do mundo.
Estás apenas com sua alma.

Eu lhe carrego no colo, quando suas pernas doem.
Você interrompe seu sono profundo
para me alimentar de alegrias.

O sangue meu que nunca correu em tuas veias.
Mas algo corre de mim para você e de você para mim
no limítrofe espaço que separa a palma de nossas mãos.
Você sabe. Sempre soube.




(e nem venha me falar que a foto não deveria ser essa)




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