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sexta-feira, 26 de julho de 2013

O vento que me entorta

Ele cresceu e talvez seus brinquedos já sejam armas.
Talvez ele corte o mundo apenas com palavras.

Talvez tenha mais cicatrizes
que os homens normais
O fato de me automedicar
Dá liberdade que os homens necessitam
para me ferirem mais e mais.

Já não sei se foi o tempo que curou as feridas
ou se o sol as fez secar.

Lembro-me da flor.
Lembro-me de extraí-la, com tamanha maestria
perante o orvalho ultrapassado do fim da tarde.
De cada partícula dela penetrando as linhas do caderno,
como uma poesia que dilacera os olhos de quem vê.
Lembro-me de suas pétalas brancas, cor de luz.

Hoje, ao abrir minha cabeça, percebo a flor.
Esquecida, amassada, sofrida, calada. Jazida, talvez.
A flor que o tempo me levou.

O tempo anda passando pela janela nessas madrugadas,
Me roubando algumas flores do jardim.
E rindo da minha cara de imbecil, às cinco da manhã,
numa palco sem cortinas
de um teatro sem bilheteria.



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