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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Vernáculo estrangeiro II

Escrevo nas paredes deste quarto branco
como quem vai ao concerto de música clássica
chorando, sorrindo, seguindo regras
neste mundo caótico onde os homens se vão.
Talvez nem escreva mais, apenas viva
Essas letras são minha distância
Esses versos são sua distância
A distância que nos coube, as palavras quebram

Uns têm trens e outros aviões bimotores
com piloto automático e um pequeno problema
na turbina esquerda que o impede de voar
em alturas muito elevadas.
Eu tenho lápis, computadores
blocos de notas
paredes e concertos de música
para encurtar essa vida
que nos é tão breve e pálida...

Surpreendo-me com seu desejo pela vida, pela arte
e com amor que há debaixo destas saias de menina
Surpreendo-me em haver olhos verdes que não te olhem
Tenho medo das coisas
e saudade de outras.

Por hora, não tenho muito,
apenas este poema estrangeiro.
Por hora, não quero muito.
Apenas alguém que sacie meu desejo inexorável
de ser comido pelo mundo
devorado
Apenas lido, se for o caso.

Leia-me por inteiro


                                     à Laisa.

3 comentários:

  1. Como assim? Como... Como?
    Não se devia repertir a mesma palavra tantas vezes, mas...

    Eu... Li os primeiros versos várias vezes. Me lembrou Choro Bandido. A do Chico sabe? Mas instrumental. Fui ouvir. Flutuei na segunda estrofe. Desejei aquele quarto ali em cima . E desejei a menina(acho que eu desejo muita coisa mesmo. Alias, sabe de quem é a pintura?). E, como já era de de se esperar desejei lhe ter por perto. Ainda mais nos últimos versos.

    Apaixonei-me. E o começo deste cometário é mais ou menos o susto retratado no fato de eu ter engolido as palavras, quando vi meu nome.

    Um beijo, João

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  2. Viviane Mosé marcou, não é?!

    Essa ideia de ser devorado pelo mundo às vezes me dá medo de dar indigestão no final da refeição!

    A imagem de palavras que quebram distâncias me lembra a alegria que é receber uma carta, que é escrever uma carta para alguém querido, carta de papel, escrita à mão, envelope selado à língua... E também me faz lembrar que algum dia e-mails chegarão!!!

    Palavras que não chegam, que não são ditas, que ficam ali escondidas, às vezes devoram mais que o mundo!

    Ótimo domingo, meu amigo!
    Abraço!

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Ninguém é autossuficiente de pensamento.