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Sou um mensageiro. E por muitas vezes sou também a mensagem.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

esse cheiro de alma lavada, de mijo, de
banheiro não limpo, de alma quase sebosa.
às 3 da madrugada ou às 1 e meia da tarde.
agora já são duas e eu ainda não movi nem
um fio de cabelo para que o universo me 
entendesse de uma forma mais completa.
houve um tempo de minha infância que 
alma sebosa era o melhor xingamento 
dentre todos os "tua mãe é minha boe e 
nada me faltará" e "tua mãe te vende?"
acabei crescendo descontroladamente.
quase me derrubo por entre esses prédios 
tão altos. acho que esqueci de perceber que
essa cidade crescia junto comigo-sozinho.
arrumo uma ou outra palavra aqui e ali
apenas para ajustar a métrica da correnteza
que aprendi como quem ajusta uns óculos 
de parafuso semi-vesgos. semi-condicionados.
ouvi dizer que não se usa mais hífens no novo
acordo ortográfico. mas já que não assinei nada, 
vou continuar usando os hífens-hífens.
não acordei, não quero acordar. e acho que 
também não estou muito afim de dormir.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eu te amo, João. Te amo.
    Cá estou eu, há um bom par de horas, com esta tela aberta pensando no que comentar. Mas não consigo pensar em muita coisa além do amor que sinto em te ler.
    É quase uma confissão. Me vi, espiando sua infância atrás de um muro brocado. Te vi menino, magro e com cabelos pretos, a correr por um asfalto úmido rua sem saída (e nem sei se era assim de fato). Te vi moço feito deitado numa cama bagunçada com um notebook na mesa ao lado.


    Estou voltando com as mesmas velhas e sujas desculpas.
    Mas com novas motivações.


    Um beijo doce, meu querido João

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Ninguém é autossuficiente de pensamento.